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    <title>PT-PT on A pé ou de carro</title>
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    <description>Recent content in PT-PT on A pé ou de carro</description>
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    <copyright>Copyright © 2026, Cláudia Ramos Monteiro.</copyright>
    <lastBuildDate>Mon, 13 Feb 2023 00:00:00 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://apeoudecarro.org/blog/pt-pt/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml" />
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      <title>Daniel não está</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/daniel-n%C3%A3o-est%C3%A1/</link>
      <pubDate>Mon, 13 Feb 2023 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>«A ausência de Daniel nesta cena despertou a imaginação dos comentadores»,1 diz uma nota de estudo sobre o episódio da estátua de ouro.
Que episódio é este? No Velho Testamento, o rei Nabucodonosor &amp;mdash; o mesmo dos Jardins Suspensos da Babilónia &amp;mdash; manda erigir uma estátua. Ao soar das «trompas, oboés, cítaras, harpas, liras e saltérios», os «povos de todas as nações, raças e línguas»2 têm ordens para se curvarem perante ela em adoração.</description>
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      <title>A ortografia como pele da língua</title>
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      <pubDate>Sat, 07 Jan 2023 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Em 1987, os linguistas Ivo Castro, Inês Duarte e Isabel Leiria1 fixaram uma frase que alguém disse quando começou a discutir-se o acordo ortográfico de 1986. (Ele não avançou, mas inspirou o de 1990, que temos hoje em vigor.) A frase era:
 A ortografia é a epiderme da língua.
 «Curiosamente», dizem eles,
 para muitas das pessoas que a têm invocado, [esta frase] significa que a ortografia é totalmente convencional e que nenhuns danos, ligeiros ou profundos, podem advir para a língua de remodelações ortográficas insensatas.</description>
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      <title>Aranha no Evereste de flanela</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/aranha-no-evereste-de-flanela/</link>
      <pubDate>Sat, 22 Oct 2022 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Encontrei uma aranha no cimo do seu monte Evereste: um painel de metro e meio de madeira, lã de rocha e uma camada de flanela branca. Terá vindo de longe. Podia ter encostado o meu nariz às perninhas dela.
Na categorização social de aranhas, onde será que ela se encaixa? Será a aranha anormal, a marginalizada? A perdida, com zero sentido de orientação (&amp;ldquo;eu estava à procura da estante&amp;hellip;&amp;rdquo;)? Será celebrada como pioneira?</description>
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      <title>Inverno vulcânico</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/inverno-vulc%C3%A2nico/</link>
      <pubDate>Mon, 17 Oct 2022 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Há duzentos anos, tivemos um “ano sem Verão”. Em vez de praia, passeios e piqueniques, ficou frio, choveu e nevou. Subiu o preço do trigo, da carne, da couve, do leite. No Mediterrâneo, estaria escuro um metro à nossa frente. Mary Shelley escreveu Frankenstein porque Lorde Byron sugeriu “Já que estamos fechados em casa, que tal uma história?”
O &amp;ldquo;ano sem Verão&amp;rdquo; era consequência de um inverno vulcânico, que é o que acontece quando uma erupção vulcânica liberta tanta cinza e ácido sulfúrico que bloqueia a luz do sol.</description>
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      <title>Três centímetros por ano</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/tr%C3%AAs-cent%C3%ADmetros-por-ano/</link>
      <pubDate>Mon, 04 Jul 2022 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>A minha sobrinha começou a gatinhar e descobriu num T2 o Novo Mundo. Tanto estamos a brincar na sala como ela larga tudo para ver o que foi aquilo vindo da cozinha, e vai, sem ajuda de ninguém.
Como calculam, estou ambivalente em relação a esta nova independência. Vê-la gatinhar confirma o que eu temia: que a minha sobrinha é como a lua, que se afasta da Terra e se aproxima do sol três centímetros por ano.</description>
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      <title>Árvores, armado, betão, diálogo</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/%C3%A1rvores-armado-bet%C3%A3o-di%C3%A1logo/</link>
      <pubDate>Mon, 16 May 2022 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Fomos surpreendidos com um abate de árvores históricas, um abate que não compreendemos e só pode estar relacionado com a obra da IP. É mais uma evidência de que não vão parar apesar da população se manifestar contra e da obra constituir um total desrespeito pela identidade da zona.&amp;quot;1
 Isto foi Vasco Sousa, porta-voz do movimento cívico Cidadãos da Praia da Granja, um movimento que tem procurado impedir uma obra que envolve arrancar árvores centenárias da mesma zona balnear onde Sophia de Mello Breyner passou os Verões — onde fica a &amp;ldquo;casa branca em frente ao mar enorme&amp;rdquo; — e plantar, no lugar delas, três metros de muro de betão armado.</description>
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      <title>Nota sobre matar a sede</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/nota-sobre-matar-a-sede/</link>
      <pubDate>Wed, 24 Nov 2021 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Numa história do Velho Testamento, um homem chega a casa furioso. Reúne a mulher e os amigos e, para se acalmar, começa a gabar-se da sua fortuna, do número de filhos, do prestígio do seu cargo, da confiança que o rei tinha nele. Mais: ele estava a ficar próximo do rei e da rainha. Até já o tinham convidado para jantar.
Por fim, diz: &amp;ldquo;nada disto me satisfaz, enquanto vir esse judeu Mardoqueu no palácio do rei&amp;rdquo;.</description>
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      <title>Amor, dicção e tradução numa conversa no Novo Testamento</title>
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      <pubDate>Sat, 05 Jun 2021 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Há uma conversa no Novo Testamento em que Jesus e Pedro não usam a mesma palavra para falar de amor: um diz agapáō e o outro diz philéō. Algumas pessoas dizem que philéō é amor de amigo. Isso parece-me fruto de uma sociedade que perdeu de vista o que a amizade quer dizer; por isso, não vejo essa distinção. Talvez seja o nível de sacrifício? Por nós, agapáō atravessa-se à frente de um carro; philéō fica no passeio, horrorizado com o acidente e consigo próprio.</description>
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      <title>Páscoa</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/p%C3%A1scoa/</link>
      <pubDate>Sun, 04 Apr 2021 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Ao rever a Páscoa esta manhã, pensei num salmo em que, traduzindo literalmente, Deus diz &amp;ldquo;Não lidarei falsamente com a minha fidelidade&amp;rdquo;. A OL tradu-lo como &amp;ldquo;nem deixarei de cumprir a minha promessa&amp;rdquo; e a BPT, como &amp;ldquo;não renegarei a minha fidelidade&amp;rdquo;. A primeira escolha é mais fácil de apanhar; mas a segunda tem mais implicações. Também o Capitão América faz promessas, mas até ele renegaria a sua fidelidade.
Não está em causa o objeto da promessa, mas quem a faz.</description>
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      <title>Conjecturas sobre dor alheia</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/conjecturas-sobre-dor-alheia/</link>
      <pubDate>Sat, 06 Mar 2021 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Uma mulher em visita ao Louvre atirou uma chávena à Mona Lisa. A chávena foi a única baixa, porque o quadro está protegido por um vidro à prova de balas desde o meio do século XX. A chávena foi só o arremesso mais recente.
O Louvre apresentou queixa, a mulher foi levada pela polícia, e contou-lhes que o motivo fora o ter-lhe sido negada a nacionalidade francesa.
Isto aconteceu em Agosto há mais de dez anos.</description>
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      <title>O tempo trata bem a Mona Lisa</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/o-tempo-trata-bem-a-mona-lisa/</link>
      <pubDate>Wed, 03 Feb 2021 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>O tempo tem tratado bem a Mona Lisa, poupando-lhe as feições de maneira que ainda pode ser vista quinhentos anos depois. A vida deu-lhe aventuras: esteve na corte do rei; viu o imperador dormir; foi raptada e guardada no fundo de um baú durante dois anos, até ser encontrada por não dar lucro escondida.
Houve uma grande resistência à sua primeira viagem transatlântica, porque, antes de ser raptada, a Mona Lisa entrara em França pela mão do pintor (antes das guerras, da canalização e da luz elétrica, da revolução francesa e da Reforma — até antes da imprensa).</description>
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      <title>Santo entranhado</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/santo-entranhado/</link>
      <pubDate>Tue, 29 Dec 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Há um salmo que diz «Ele alcançou vitórias pela sua mão direita, pela força do seu santo braço». Há qualquer coisa na corporalidade de «braço».
Quando cantamos «Santa noite», esquecemo-nos de que os pastores ficaram aterrorizados, apesar de os anjos que lhes apareceram estarem a celebrar. Celebravam o nascimento de um humano, o único mamífero que nasce de costas, derradeiro inofensivo entre recém-nascidos.
A noção de santidade ainda me enjooa: outra definição de aborrecido, ou pior, de aborrecido e arrogante.</description>
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      <title>Na corrida para vender o espaço</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/na-corrida-para-vender-o-espa%C3%A7o/</link>
      <pubDate>Thu, 08 Oct 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Este ano, o espaço foi despromovido de bem comum da humanidade para bem comercial de alguns. «A questão em 2020», diz um advogado em direito espacial,1 «já não é se é legal ou ilegal usar recursos do espaço», mas «como governar isto de forma sustentável» (no fundo, decidir as regras depois de dada a partida).
Um exemplo do uso como bem comercial: a Astrobotic, que vai dar boleia ao próximo rover da NASA até à lua, leva também, por uma módica quantia, recordações nossas para pousar na lua, como uma foto de família ou uma madeixa de cabelo.</description>
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      <title>Sobre universo e texto</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/sobre-universo-e-texto/</link>
      <pubDate>Wed, 09 Sep 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Ao notar paralelos entre o Deus do texto bíblico e o universo observável, hesito em assumi-los porque o último está à vista de todos e o primeiro só na convicção de alguns. No entanto, a teologia e a ciência fazem parte da mesma manta de retalhos, e encontrei a costura mais recente dessa manta ao ouvir a cosmóloga Katie Mack admirada perante o quanto conhecemos do universo: «É incrível o quanto sabemos e quão bem o sabemos.</description>
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      <title>Sobre a perspetiva de cacos e ossos</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/sobre-a-perspetiva-de-cacos-e-ossos/</link>
      <pubDate>Fri, 19 Jun 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Os madianitas eram um povo cuja cerâmica é proto-história — humanos e animais pintados a vermelho escuro em barro. Foram brevemente opressores dos israelitas, levando consigo gado, tendas e camelos para destruir as colheitas, limpando-as como «nuvens de gafanhotos».1
Uma vez, enquanto malhava trigo às escondidas, um homem queixou-se: «Onde estão as coisas maravilhosas que os nossos pais nos contaram que o Senhor costumava fazer: a maneira como os tirou do Egito?</description>
    </item>
    
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      <title>Trigo e joio</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/trigo-e-joio/</link>
      <pubDate>Tue, 02 Jun 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>A planta llareta, no Chile, parece uma tumescência de berlindes revestida de musgo, mas é um arbusto com três mil anos, «uma densa massa de milhares de ramos que terminam em minúsculos botões de folhas». Foi fotografada por Rachel Sussman, juntamente com outras plantas, nenhuma com menos de 2000 anos, para o livro The Oldest Living Things in the World.
Durante o projeto, uma das plantas, um cipreste-de-folha-caduca com 3500 anos, na Flórida, foi sem querer incendiado quando uma rapariga fez uma fogueira com detritos para ver a metanfetamina que levara; e uma floresta subterrânea com 13 mil anos na África do Sul, que à superfície parecia tufos rasteiros, foi destruída para se construir uma estrada.</description>
    </item>
    
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      <title>Um Deus relacional responde à tendência para o insulto</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/um-deus-relacional-responde-%C3%A0-tend%C3%AAncia-para-o-insulto/</link>
      <pubDate>Fri, 29 May 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Quando Jesus disse1
 Todo aquele que se irritar contra o seu semelhante terá de responder em julgamento; (…) e aquele que lhe chamar “estúpido” merece ir para o fogo do inferno,
 poderá não ter surpreendido inteiramente o seu público, que também ouvira que não havia nada mais enganador do que o coração humano, «demasiado doente para ser curado».2 Mas deve ter soado cruel: como era suposto evitarem qualquer coisa que tinham começado em crianças precisamente ao procurar a fronteira entre o céu e o inferno?</description>
    </item>
    
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      <title>Uma experiência de física: ver gelo derreter</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/uma-experi%C3%AAncia-de-f%C3%ADsica-ver-gelo-derreter/</link>
      <pubDate>Sun, 26 Apr 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Sirvam-se um copo de água (ou limonada, ou sangria) e acrescentem cubos de gelo. À medida que o gelo derrete, o nível do líquido sobe, desce ou fica igual?
Esta é uma pergunta feita por Helen Czerski no livro Storm in a teacup: the physics of everyday life: uma de muitas que nos ajudam a conhecer a ciência do quotidiano, e que, segundo ela, nos permitem uma participação cívica mais completa.</description>
    </item>
    
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      <title>Ritmos da quarentena</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/ritmos-da-quarentena/</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Às 7 da manhã, gaivotas voam em silêncio como se estivessem a acordar. Já é dia, mas não há sol nem sombra nos quintais e varandas da rua onde todo o tipo de natureza importada ou preservada retém a humidade da noite: filas de plantas em vasos de plástico e barro, sebes e arbustos, plantas trepadeiras, uma árvore. Todas contribuem para o cheiro de um dia no início. A paisagem sonora é ornitológica, com rolas e pardais (as gaivotas estão prestes a juntar-se).</description>
    </item>
    
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      <title>Um presente do MoMA em tempo de isolamento</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/um-presente-do-moma-em-tempo-de-isolamento/</link>
      <pubDate>Wed, 15 Apr 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Em confinamento continuado, Sarah Meister e a equipa do curso Seeing Through Photographs publicaram uma coleção de fotografias de Dorothea Lange — «Dorothea Lange&amp;rsquo;s pictures of children: a resource for teachers, students and families» —, com base numa exibição recente chamada Dorothea Lange: Words &amp;amp; Pictures — «agora pendurada e pacientemente à espera nas galerias em escuridão do MoMA». (O museu, como tudo o resto, está fechado por causa da pandemia.</description>
    </item>
    
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      <title>Constatação de possibilidades acalmada a estridente caixa sonora que é o mundo urbano</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/constata%C3%A7%C3%A3o-de-possibilidades-acalmada-a-estridente-caixa-sonora-que-%C3%A9-o-mundo-urbano/</link>
      <pubDate>Wed, 08 Apr 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Há uma citação de Tolentino Mendonça no livro Uma beleza que nos pertence:
 De facto, o mundo, este mundo que nos habituámos a identificar como estridente caixa sonora que nunca dorme, é atravessado por um fio de silêncios à espera de serem escutados.
 Este fio de silêncios deixa-se ouvir desde que a pandemia nos empurrou para casa com a mesma força com que a atmosfera empurra sumo palhinha acima e a vida passou a gravitar dentro de portas, à volta de vídeos de cardio e receitas de pão.</description>
    </item>
    
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      <title>Helen Czerski e a esperança de prestar atenção</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/helen-czerski-e-a-esperan%C3%A7a-de-prestar-aten%C3%A7%C3%A3o/</link>
      <pubDate>Sun, 05 Apr 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Aqueles de nós que têm visto o que a ação coletiva (ainda que forçada) pode fazer pelo clima poderão recear o que acontecerá quando terminar o isolamento e voltarmos para a rua. Alguns de nós juntam-se ao coro de vozes de que fala Vítor Belanciano, o que proclama:
 regressar à normalidade nem pensar, se por isso estivermos a nomear décadas que arruinaram sistemas de saúde, de habitação, segurança social e o ambiente, colocando-se o lucro privado à frente do bem-estar das comunidades e do planeta.</description>
    </item>
    
    <item>
      <title>Alguns curadores sobre trabalhar num museu</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/alguns-curadores-sobre-trabalhar-num-museu/</link>
      <pubDate>Wed, 01 Apr 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
      <guid>https://apeoudecarro.org/alguns-curadores-sobre-trabalhar-num-museu/</guid>
      <description>Continuando a passagem por museus: o MoMA criou um documentário observacional em 2017, At the Museum, acerca do que significa «gerir um museu moderno». No primeiro episódio, «Shipping &amp;amp; Receiving», acompanhamos uma série de obras ao serem preparadas para envio para uma exibição em Paris, ao mesmo tempo que outras chegam ao museu. Implica verificar o estado das peças, reparar, limpar, embalar, desembalar, de forma meticulosa. (Pensem na descontração com que limpamos o pó às molduras ou abrimos uma encomenda: o princípio é igual, a abordagem é diferente.</description>
    </item>
    
    <item>
      <title>Arte e ciência fundem-se em conservação</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/arte-e-ci%C3%AAncia-fundem-se-em-conserva%C3%A7%C3%A3o/</link>
      <pubDate>Fri, 27 Mar 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Ao trabalhar em «The many deaths of a painting», um episódio de 2019 de 99 Percent Invisible (por coincidência, de 26 de março, quase precisamente há um ano), John Fecile, produtor do episódio, apaixonou-se por conservação. «Este emprego é o mais fixe de todos, não existe trabalho melhor do que este.»
O motivo do fascínio era a fusão de áreas de estudo tipicamente consideradas opostas, a arte e a ciência. Um conservador tem de, por um lado, pensar como um artista para perceber «o que o artista estava a tentar fazer»; por outro, recorrer a conhecimento, técnicas e ferramentas das ciências exatas para restaurar quadros.</description>
    </item>
    
    <item>
      <title>Jane Hirshfield e a ligação entre ciência e poesia</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/jane-hirshfield-e-a-liga%C3%A7%C3%A3o-entre-ci%C3%AAncia-e-poesia/</link>
      <pubDate>Tue, 24 Mar 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>«A arte permite-nos fazer parte de uma comunidade, mesmo na solidão», disse a poeta e escritora Jane Hirshfield numa entrevista para o podcast Science Friday. A solidão que ela tinha em mente era precisamente a que estamos a viver coletivamente, ao sermos «forçados a distanciar-nos uns dos outros».
Quando a entrevista foi marcada para este episódio, «o mundo era um lugar muito diferente»: Hirshfield fora inicialmente convidada para falar sobre as mudanças climáticas e a ligação entre ciência e poesia (que o entrevistador, John Dankosky, considerou «uma ferramenta para observação tanto quanto a ciência»).</description>
    </item>
    
    <item>
      <title>O silêncio</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/o-sil%C3%AAncio/</link>
      <pubDate>Mon, 23 Mar 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Os dias que atravessamos ecoam um poema de Pablo Neruda (via Maria Popova), O silêncio (trad.):
 Vamos parar um segundo sem tanto esbracejar.
Seria um momento exótico sem pressa nem motores; estaríamos todos juntos em repentina estranheza.
 Neruda não imaginou que o silêncio se manifestaria como nestas últimas semanas, no cruzamento entre conectividade e pandemia, em que pela primeira vez algo nos fez recuar a todos, mundo fora, para trás de portas até levantarem quarentenas e estados de emergência.</description>
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      <title>Paciente zero</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/paciente-zero/</link>
      <pubDate>Fri, 20 Mar 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>A melhor hipótese é a do corte do caçador (&amp;hellip;) Se tivéssemos de adivinhar, esse humano era provavelmente um bantu a viver muito perto da floresta ou na floresta no sudeste dos Camarões. Estava a caçar, talvez com arco e flecha, talvez com uma lança, e mata um chimpanzé.
Bingo. Tem agora um grande monte de carne, que começa a cortar: abre-lhe o peito, tira órgãos — e corta-se. (&amp;hellip;) O que acontece é que o vírus do sangue do chimpanzé se encontra num ambiente inesperado, estranho mas não demasiado diferente do ambiente bioquímico em que tinha estado antes.</description>
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      <title>Poeira estelar</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/poeira-estelar/</link>
      <pubDate>Mon, 16 Mar 2020 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Rachel Carson escreveu que «o tempo de vida de certa planta ou animal surge, não como um drama em si completo, mas apenas como um breve interlúdio num panorama de mudança interminável»1. Numa escala telescópica do tempo, temos duração de um eclipse, o peso do pó. Apesar de negligenciarmos este mundo, quem sabe se lhe sobrevivemos.
Os autores do texto bíblico reconheciam esta transitoriedade («A vida dos homens é como a erva &amp;hellip; quando o vento sopra sobre ela, deixa de existir»)2 e assombravam-se com a atenção divina dedicada a plantas e pessoas3.</description>
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      <title>Moisés, Maria Popova e Judith Shulevitz sobre o descanso</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/mois%C3%A9s-maria-popova-e-judith-shulevitz-sobre-o-descanso/</link>
      <pubDate>Fri, 26 Oct 2018 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Nesse dia, não faças trabalho nenhum, nem tu nem os teus filhos e filhas, nem os teus servos e servas, nem os teus animais nem o estrangeiro que viver na tua terra. — Êxodo 20:10
 Este verão, passei alguns dias sozinha numa vila a algumas horas de casa, não tanto para explorar como para descansar: pisei descalça almofadinhas de relva, fiz festinhas a um cão pequenino, acordei com vista para as montanhas.</description>
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      <title>Sobre nenhuma explicação para o sofrimento em Lucas 2</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/sobre-nenhuma-explica%C3%A7%C3%A3o-para-o-sofrimento-em-lucas-2/</link>
      <pubDate>Thu, 06 Sep 2018 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Foste tu que formaste todo o meu ser; formaste-me no ventre de minha mãe. Louvo-te, ó Altíssimo, e fico maravilhado com os prodígios maravilhosos que são as tuas obras. Conheces intimamente o meu ser. Quando os meus ossos estavam a ser formados, sem que ninguém o pudesse ver; quando eu me desenvolvia em segredo, nada disso te escapava. — Salmo 139:13–13 (BPT)
 Desde a minha adolescência, quando num acampamento me foi pedido e a outros vinte adolescentes que apreciássemos o assombro — o encanto, o milagre — deste salmo, que nunca me senti confortável com ele.</description>
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      <title>A lápide de Abraão e a ligação com uma vida cheia no texto bíblico</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/a-l%C3%A1pide-de-abra%C3%A3o-e-a-liga%C3%A7%C3%A3o-com-uma-vida-cheia-no-texto-b%C3%ADblico/</link>
      <pubDate>Sat, 18 Aug 2018 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Abraão viveu 175 anos; morreu numa velhice feliz, repleto de bons anos, e foi sepultado junto dos outros membros da sua família. (Génesis 25:7–8, OL)
 Ao ler a história de Abraão de uma ponta à outra, surge uma definição de vida cheia do ponto de vista bíblico. Abraão era respeitado (“Tu, no nosso meio, és como um príncipe de Deus”, 23:6), tinha segurança financeira (“não só em gado, como em prata e ouro”, 13:2), e, depois de pedir (“… para que me servirão as tuas bênçãos se não tenho filhos?</description>
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      <title>África Minha</title>
      <link>https://apeoudecarro.org/%C3%A1frica-minha/</link>
      <pubDate>Fri, 19 Nov 2010 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>Tive uma fazenda em África, no sopé das montanhas Ngongo. O equador passa a cento e sessenta quilómetros a norte desta região e a fazenda ficava a uma altitude de mais de dois mil metros. Durante o dia sentíamo-nos perto do sol, mas as madrugadas e os fins de tarde eram límpidos e tranquilos e as noites frias.
 — Karen Blixen, África Minha</description>
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